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Por vezes me guardo como quem se treme:
um barco de velas como folhas murchas
à deriva no revolto mar de dentro
(sem leme).
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![]() Tweet Por vezes me guardo como quem se treme: um barco de velas como folhas murchas à deriva no revolto mar de dentro (sem leme). ![]() Tweet A partir de um texto anterior, elaborei uma (re)leitura do filme O Mundo (2004), de Jia Zhangke, enfrentando o desafio de compreender as formas pelas quais, em sua narrativa, o idioma do gênero opera como metalinguagem da globalização. O texto abaixo constitui parte de um artigo ainda em desenvolvimento e foi apresentado hoje no Simpósio Temático “As fronteiras no cinema e do cinema”, no Fazendo Gênero 9, realizado na Universidade Federal de Santa Catarina. Assim que for publicado no site do evento, coloco o link aqui. O que . . . [continue lendo] ![]() Tweet I A construção de uma nação passa pela articulação de formas de imaginar suas paisagens. Em jogo, está o campo de possibilidades da consciência coletiva que constitui a caução da identidade nacional. É, entre outras coisas, a partir das narrativas contidas nas imagens – as histórias movimentadas e entrelaçadas, delimitadas e potencializadas, assim como aquelas fixadas e contidas, negadas e encerradas pelo processo de imaginação – que opera o dispositivo da nação, como uma máquina cujo objetivo é produzir o povo como sujeito da identidade . . . [continue lendo] ![]() Tweet Uma coleção aleatória de imagens, retiradas de derivas incertas pela internet, que atravessam diferentes momentos e tendências das artes – da gravura e da pintura à fotografia, beirando o cinema. Entre elas, entre outras, uma morada passageira, como a casa desconhecida que, em sonho, nos é estranhamente familiar. Elas são seus avatares, que colecionamos sem que seja preciso desejar fazê-lo, pois as imagens nos habitam tenazmente, clandestinas. (Talvez, mais tarde, possam ser reencontradas em sua singularidade. Agora, restarão desordenadas e a cada vez reordenadas para passeios sem . . . [continue lendo] ![]() Tweet A origem do espetáculo é a perda da unidade do mundo, e a expansão gigantesca do espetáculo moderno revela a totalidade dessa perda: a abstração de todo trabalho particular e a abstração geral da produção como um todo se traduzem perfeitamente no espetáculo, cujo modo de ser concreto é justamente a abstração. No espetáculo, uma parte do mundo se representa diante do mundo e lhe é superior. O espetáculo nada mais é que a linguagem comum dessa separação. O que liga os espectadores é apenas uma ligação . . . [continue lendo] ![]() Tweet Jia Zhangke pertence à chamada “sexta geração” do cinema chinês. Trata-se da geração ligada aos eventos na praça de Tian An Men, ou praça da Paz Celestial, em 4 de junho de 1989. São os herdeiros distantes da Revolução Cultural, iniciada por Mao Tsé-Tung em 1966. São os narradores da abertura econômica, da construção e das consequências do “socialismo de mercado”, oferecendo vislumbres de suas margens, de suas fraturas e fissuras, de suas contradições, tensões e exclusões constitutivas. Jia Zhangke e outros cineastas . . . [continue lendo] ![]() Tweet O Inácio Araújo disse que, com Bastardos Inglórios, Tarantino traz a festa de volta ao cinema. Nessa festa, como sugere o Rodrigo Cássio, o cinema tem um papel crucial: daí a centralidade da cena da sala de cinema em chamas, no filme Bastardos Inglórios e em relação a toda a filmografia de Tarantino, como expressão simbólica e sintética de que, “em seus filmes, já não há mais o espaço da representação”, como escreveu o Rodrigo, restando apenas uma miríade de referências intertextuais, um labirinto interminável . . . [continue lendo] ![]() Tweet Quando Jean-Baptiste Gustave Le Gray fotografou “A grande onda”, em 1857, o tempo de exposição necessário para a captação de uma imagem fotográfica já tinha deixado de ser tão prolongado a ponto de demandar um assunto estático. Aos poucos, o retrato posado, a natureza morta e a paisagem imóvel de montanhas ou planícies vão se misturando e dando lugar, na iconografia dos fotógrafos, a cenas do cotidiano, das ruas movimentadas das cidades, das paisagens fluidas diante do olhar sempre de passagem do flâneur ou do . . . [continue lendo] ![]() Tweet Quando Marcel Duchamp desloca objetos de seus contextos cotidianos e os coloca no contexto da galeria e do museu, conforme a proposta do readymade, é a esfera da arte da tradição ocidental que se encontra em questão, investida como é de um caráter sagrado e dotado de valor de culto. De forma sucinta, pode-se dizer que o sagrado advém de uma estrutura de separação em relação ao uso comum dos seres humanos. Como escreve o filósofo Giorgio Agamben, em seu “Elogio da profanação”, . . . [continue lendo] Tweet Dando continuidade aos comentários sobre filmes da 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo que foram disponibilizados até ontem, dia 05/11, na plataforma de filmes The Auteurs, segue um comentário sobre Tudo que nos cerca, de Hashiguchi Ryosuke. # Na medida em que lida com a relação entre arte e vida, o filme Tudo que nos cerca, de Hashiguchi Ryosuke, pode ser visto como um suplemento e um contraponto a Aquiles e a tartaruga, de Takeshi Kitano (ou vice-versa). . . . [continue lendo] |
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incinerrante.com, por marcelo rodrigues souza ribeiro, 2010 |
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