Arquivo | agosto, 2010

O Mundo, o comum e o tempo da incomunicabilidade

Desenhando uma alegoria da globalização em que a política das identidades se revela atravessada por problemas de gênero, a narrativa de O Mundo pergunta sobre as possibilidades de imaginação de uma comunidade mundial da humanidade, e de qualquer comunidade específica, em geral. Estranhamente, se há algum caminho a seguir em busca de uma resposta, ele passa pelo tema da incomunicabilidade e deve reconhecer necessariamente o papel alegórico desempenhado pelo gênero como metalinguagem para abordar os processos sociais, culturais e históricos que estão em jogo na globalização.

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A iconografia da nação: o Brasil sob o signo da antropofagia

A construção de uma nação passa pela articulação de formas de imaginar suas paisagens. Em jogo, está o campo de possibilidades da consciência coletiva que constitui a caução da identidade nacional. É, entre outras coisas, a partir das narrativas contidas nas imagens – as histórias movimentadas e entrelaçadas, delimitadas e potencializadas, assim como aquelas fixadas e contidas, negadas e encerradas pelo processo de imaginação – que opera o dispositivo da nação, como uma máquina cujo objetivo é produzir o povo como sujeito da identidade nacional. Pode-se rastrear, na iconografia da nação, os elementos que se articulam para conformar seu dispositivo: as figuras privilegiadas, as fábulas recorrentes, as paisagens domesticadas ou ainda por domesticar. Nesse rastro, é o que escapa ao enquadramento da nação – permanecendo aquém de sua rede ou projetando-se além de sua moldura – que constitui o combustível que alimenta o motor do dispositivo nacional.

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